Até quando o real continuará apanhando?

Pé-de-meia importado
8 de novembro de 2018
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Até quando o real continuará apanhando?

Que o real é uma moeda instável, todos sabem. Historicamente, foi criada para ter o mesmo valor do dólar, com o câmbio 1 para 1, no ano de seu surgimento, 1994. Chegou, inclusive, a ser mais valorizada que o dólar, nos anos de 1995 e 1996, mas iniciando o processo de desvalorização a partir de 1997. Desde então, grandes oscilações ocorreram. Em 2004, 10 anos depois de iniciar sua circulação, R$2,94 compravam U$1,00. Houve uma valorização novamente entre 2008 e 2010, onde esteve no patamar de R$1,80, disparando ladeira abaixo a partir de 2013, quando, pela primeira vez na história, no ano de 2016, passou de R$3,50, tendo atingido R$4,10 em 2018.

Diferentemente do dólar, que é uma moeda estável com seus 234 anos de história, o real oscila entre altos e baixos desde sua criação, há 25 anos atrás. Uma moeda que não tem estabilidade traz inúmeras consequências para as contas de um país, e, é claro, para o bolso do consumidor.

A consequência mais imediata da desvalorização do real é o aumento dos preços. Isso se deve ao fato de que, de maneira enxuta, muitas indústrias e empresas nacionais se utilizam de bens e insumos estrangeiros, e, com a moeda desvalorizada, precisam despender mais dinheiro para comprar tais bens. Dessa forma, o preço do produto final é encarecido, e o país como um todo sofre com o fato de ter que ter mais dinheiro para comprar um bem, do que tinha antes para comprar esse mesmo bem. Podemos observar como alguns produtos encareceam ao longo desses anos. Uma peça de picanha, por exemplo, que era vendida por R$8,90 nos anos 2000, em 2015 era vendida a R$28,60. E em 2019, a mesma peça é vendida a R$74,00. É um aumento exponencial, que, inclusive, ultrapassa a inflação! E não foi só com o preço da picanha que o real perdeu a briga. Foi de diversos itens, que afetam diretamente a qualidade de vida do brasileiro.

Uma outra consequência observável é o desestímulo aos investimentos. Com a desvalorização do real, o dólar, ou outras moedas mais estáveis, se tornam mais atrativos pela segurança, estabilidade e rentabilidade. Com uma moeda instável, o investidor não tem certeza se colherá frutos lucrativos do seu plantio hoje. Portanto, acaba buscando países onde a moeda é forte e estável para poder, no futuro, lhe render lucros.

Para o crescimento econômico, é indispensável que a moeda seja forte e estável, pois o investidor prefere a certeza de retornos positivos. Em países instáveis, são raros os investimentos de longo prazo, podendo ter mais incidência de investidores que arriscam ganhos de arbitragem. Arbitragem, no mercado financeiro, é a operação de compra e venda de valores negociáveis, realizada com o objetivo de ganhos econômicos sobre a diferença de preços existentes, para um mesmo ativo entre dois mercados, geralmente ocorridos em um curto espaço de tempo.

Uma das poucas vantagens do real desvalorizado é que as exportações são impulisionadas. Os produtos produzidos aqui ficam mais baratos lá fora, se tornando mais competitivos e mais demandados. Porém, existe um grande problema, que é o fato já citado que, para produzir bens, o Brasil demanda também insumos internacionais, que ficam mais caros com a desvalorização da moeda, caindo, assim, em um círculo vicioso.

Em resumo, a desvalorização do real frente ao dólar não é boa para o Brasil nem para os investimentos brasileiros, e, se o país não conseguir ter um desenvolvimento estável e seguro, juntamente a um governo estável e eficiente, essas oscilações da moeda estarão sempre em pauta, e o cenário que conhecemos de tempos atrás de o real estar apanhando constantemente não tende a mudar tão cedo. Portanto, é de extrema importância que o investidor brasileiro busque investimentos no exterior para trazer maior segurança e diversificação de risco à sua carteira.

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